Benchmarking dos indicadores econômicos entre a produção orgânica de leite e o sistema convencional com produtividade similares / Benchmarking of economic indicators between organic and conventional milk production with similar productivity

Thérèsse Camille Nascimento Holmström, Dayane Aparecida Santos, Nelma Fragatta, Fernanda Giácomo Ragazzi, Elisa Cristina Modesto

Resumo


Na agropecuária nacional, a produção orgânica de leite é um processo, com escassas informações sobre sua viabilidade econômico-financeira. E isso pode ser explicado pela pouca oferta dos produtos orgânicos no mercado e pelo pagamento diferenciado dos mesmos. Outro fator que pode estar contribuindo negativamente para este quadro são os custos mais elevados em comparação ao sistema convencional de produção de leite. O objetivo do presente trabalho foi avaliar a viabilidade da produção de leite no sistema orgânico, comparando os indicadores econômicos com o sistema convencional de produção, utilizando a ferramenta Benchmark em propriedades com número de vacas lactantes similares. Os indicadores econômicos analisados foram: margem bruta (R$/L/dia); margem bruta (R$/ano); margem líquida (R$/L); margem líquida (R$/ano); margem líquida (R$/ha), custo médio (R$/L), retorno sobre o capital investido (%), receita total (R$/L) e fluxos de caixa (R$/ha/L). Como resultados, a propriedade orgânica teve R$ 0,20/L e R$89.060,00/ano para margens brutas e -R$0,21/L, -R$93.513,00/ano; -R$10,47/ha para margens líquidas. Observa-se que a fazenda orgânica apresenta o segundo melhor desempenho nas duas margens brutas, sendo os valores positivos por litro de leite, por ano. No entanto, no caso das margens líquidas, observa-se um resultado negativo por litro de leite, por ano e por área. Nas margens líquidas, a propriedade orgânica ficou em quinto lugar por litro de leite, ano e área. Considerando o custo médio do litro do leite, a propriedade orgânica ficou na quarta colocação, abaixo de três propriedades convencionais. Apesar de possuir muitos entraves para sua produção, ainda assim, nesta comparação, a propriedade orgânica ficou em melhor colocação do que três propriedades convencionais de similar tamanho, ou seja, conseguiu manejar o sistema de forma sustentável e bem competitiva com o sistema convencional. O retorno sobre o capital investido da propriedade leiteira foi negativo, possuindo o segundo menor RCI comparado às outras propriedades convencionais. O retorno sobre o capital investido da propriedade leiteira foi negativo, possuindo o segundo menor RCI comparado às outras propriedades convencionais. Se faz necessário advertir que a propriedade orgânica vende produtos lácteos e na tabela a comparação é por leite fluido, o que torna a comparação injusta já que, como alegado anteriormente, uma vez que, por vender derivados, o litro do leite é muito mais elevado do que os meros R$ 1,20 que lhe é atribuído no trabalho para efeito de comparação e análise de viabilidade do sistema. A receita total por litro de leite da propriedade orgânica foi a segunda mais alta, sendo menor em R$ 0,15 em comparação com a propriedade de maior RT. Quando comparada com as outras propriedades, foi maior em R$ 0,02 em relação à segunda fazenda convencional com o maior RT, e em R$ 0,30 comparado com a fazenda convencional de menor RT, mostrando que o retorno financeiro seria de R$ 0,15 no leite orgânico, R$ 0,26 e -R$ 0,70, respectivamente para as propriedades citadas. Se o preço do leite fosse atribuído ao valor que a fazenda realmente recebe por litro, essa situação mudaria, observando que a correção das margens líquidas com base nesse valor real do litro de leite, nas margens por litro de leite, por ano e por área seria de R$8,54; R$3.480.582,00 e R$ 139.223,28, respectivamente e o fluxo de Caixa em reais e em reais por hectare por mês seria R$ 246.492,89 e R$ 9.859,71, respectivamente. Portanto, pode-se concluir que a produção de leite no modelo orgânico é sustentável, demonstrando a competitividade do sistema orgânico em relação aos sistemas convencionais, quando a base de comparação é o número de vacas lactantes de cada propriedade.


Palavras-chave


margem bruta, margem líquida, número de vacas em lactação, produtividade e sustentabilidade

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DOI: https://doi.org/10.34188/bjaerv3n2-030

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