Análise clínico-epidemiológica de criptococose em indivíduos com hiv: uma revisão sistemática / Clinical-epidemiological analysis of cryptococosis and hiv coinfection: a systematic review

Amanda Vieira Carrijo, Beatriz Vieira Carrijo, Lara Nascimento Machado, Rogério José de Almeida, Pedro Paulo Clark de Oliveira

Resumo


A criptococose assume caráter oportunista em pacientes vivendo com HIV-AIDS e imunossupressão avançada. A principal forma clínica é a meningoencefalite, responsável por 625.000 mortes anuais. Atualmente, a meningite criptocócica (MC) é a principal causa de meningite oportunista relacionada ao HIV no Brasil e na maioria dos países de baixa e média renda. Tem como objetivo estabelecer o perfil clínico-epidemiológico e os fatores determinantes da coinfecção entre a criptococose e pessoas vivendo com HIV. Trata-se de uma revisão sistemática de estudos publicados em periódicos científicos sobre: criptococose, HIV e AIDS. Buscou-se artigos publicados entre 2010 e 2020 em diferentes bases de dados. Foram selecionados 20 artigos que compuseram a amostra final. Observou-se como fatores clínicos e epidemiológicos associados à criptococose em pacientes com HIV: predominância de homens jovens, com contagem de células TCD4 <100 células/µL, não uso da terapia antirretroviral ou seu início tardio. É comprovada a importância do rastreio precoce da criptococose e da MC em pacientes com HIV, por meio de dosagens rotineiras de CrAg ainda em pacientes sem sintomas neurológicos. Assim, deve-se buscar esforços no sentido de priorizar a prevenção da criptococose e da MC em pacientes com HIV, por meio do amplo acesso a terapia antirretroviral, bem como da incorporação da dosagem do CrAg à rotina ambulatorial e hospitalar no atendimento aos pacientes infectados pelo HIV, fomentando a melhora dos dados epidemiológicos atuais.

 


Palavras-chave


Criptococose, Meningite criptocócica, HIV-AIDS, Terapia antirretroviral.

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DOI: https://doi.org/10.34115/basrv5n2-014

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