Setor elétrico Brasileiro e capital intelectual: uma aplicação do teste de Chow

Carlos Henrique Rocha, Francisco Gildemir Ferreira da Silva

Resumo


Objetivo: Este artigo mostra que o capital intelectual tem concorrido para o desempenho financeiro do setor elétrico brasileiro e que o novo marco regulatório anunciado em 2017 não alterou imediatamente o comportamento das empresas em relação aos investimentos em capital intelectual. Método: A investigação é feita com o modelo de capital intelectual de Pulić (2000), análise de regressão e testes de quebra estrutural (teste de Chow). A amostra possui dezesseis empresas e os dados são de 2016-2019, totalizando sessenta e quatro observações. Originalidade/Relevância: A pesquisa é original porque não existem estudos aplicados ao setor elétrico do Brasil e do mundo que combinam o modelo de capital intelectual de Pulić (2000) com modelos de quebra estrutural. A pesquisa é relevante porque mostra a resposta do setor elétrico brasileiro ao anúncio do marco regulatório de 2017. Resultados: A pesquisa mostra que o marco regulatório do setor elétrico anunciado em 2017 não alterou pelo menos de imediato o comportamento do setor em relação aos investimentos em capital intelectual. O desempenho das empresas de energia elétrica é representado por indicadores financeiros tradicionais, tais como: retorno sobre o ativo, retorno sobre o patrimônio líquido e produtividade do ativo total. Contribuições teóricas/metodológicas: Esta pesquisa contribui para aprofundar o debate sobre a aplicação prática do modelo de capital intelectual de Pulić (2000) em uma economia em desenvolvimento.  Os seus resultados podem subsidiar futuras práticas regulatórias.


Palavras-chave


Setor elétrico brasileiro. Capital intelectual. Modelo de Pulić. Análise de regressão. Quebra estrutural.

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DOI: https://doi.org/10.34115/basrv5n2-009

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