Ação antibacteriana e antifúngica do extrato da erva-mate e avaliação da toxicidade em Artemia Salina / Antibacterial and antifungal action of yerba mate extract and evaluation of toxicity in Artemia Salina

Cristian Pressi, Paula Wiethölter, Ricardo Antunes Flores, Angela Maria Moro

Resumo


A erva-mate utilizada para o preparo do chimarrão, muito consumido na região sul do Brasil, vem levantando amplas discussões em relação aos benefícios terapêuticos e efeitos colaterais do seu consumo. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para neoplasia de cavidade oral em 2018, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná apresentaram as maiores frequências do país, sendo que a população masculina foi a mais atingida, com uma média de 13,04 casos a cada 100 mil habitantes. Acredita-se que a agressão térmica sobre a mucosa oral e esofágica possa ter relação com a oncogênese, além disso, substâncias presentes na erva-mate, como hidrocarbonetos, podem ter forte ação carcinogênica. Por outro lado, evidências científicas apontam diversas propriedades que seriam benéficas para a saúde humana. Sendo assim, este estudo tem como objetivo avaliar a citotoxicidade da erva-mate em Artemia salina (espécie biomarcadora de referência para toxicidade) e testar a capacidade antibacteriana e antifúngica em microrganismos patogênicos da cavidade oral. A coleta de dados foi realizada em três etapas cruciais: produção dos extratos, determinação da capacidade antibacteriana e antifúngica, através do teste de halo de inibição do crescimento microbiano e avaliação da toxicidade em Artemia salina. Em relação as propriedades terapêuticas, observou-se que o extrato da erva-mate mostrou atividade antibacteriana em Streptococcus mutans e Escherichia coli e atividade antifúngica em Candida albicans. Por outro lado, indicou atividade biológica tóxica em Artemia salina. Este, caracterizou-se como um estudo preliminar em que a erva-mate apresentou propriedades terapêuticas como a capacidade antibacteriana e antifúngica, mas também indicou, que a erva-mate pode ser citotóxica, portanto, novos estudos para avaliar os possíveis efeitos colaterais e até mesmo carcinogênicos do consumo da erva-mate são necessários.


Palavras-chave


Erva-mate, Ilex paraguariensis, Câncer, Antibacteriano, Antifúngico, Artemia salina.

Texto completo:

PDF

Referências


ALBAS, C. S. et al. Avaliação da genotoxicidade da Ilex paraguariensis (erva mate) pelo teste de micronúcleo. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Campinas, v. 16, n. 2, p. 345 – 349, 2014.

ARAUJO, M. G. F.; CUNHA, W. R.; VENEZIANI, R. C. S. Estudo fitoquímico preliminar e bioensaio toxicológico frente a larvas de Artemia salina Leach. de extrato obtido de frutos de Solanum lycocarpum A. St.-Hill (Solanaceae). Revista de Ciências Farmacêuticas Aplicada. Araraquara, v. 32, n. 2, p. 205 – 209, 2010.

CAMEL, M. et al. Influência do potencial antioxidante de extrato de erva-mate (Ilex paraguariensis St. Hil) em frango assado armazenado e reaquecido. Alimentos e Nutrição, Araraquara, v. 23, n. 2, p. 297 – 305, 2012.

CANSIAN, R. L. et al. Toxicity of clove essential oil and its ester eugenyl acetate against Artemia salina. Brazilian Journal of Biology, São Paulo, v. 77, n. 1, p. 155 – 161, 2017.

COSTA, D. E. M.; RACANICCI, A. M. C.; SANTANA, A. P. Atividade antimicrobiana da erva-mate (Ilex paraguariensis) contra microrganismos isolados da carne de frango. Ciência Animal Brasileira, Goiânia, v. 18, p. 1 – 7, 2017.

COSTA, T. A.; SANTOS, J. J. A.; BORGES, H. Atividade antioxidante da erva-mate e lesão celular em exercício agudo de alta intensidade. Revista Uningá, Toledo, v. 23, n. 1, p. 15 – 20, 2015.

CUELHO, C. H. et al. Recent advances in the bioactive properties of yerba mate. Revista Cubana de Farmácia, Santa Maria, v. 49, n. 2, p. 375 – 383, 2015.

FAY, J. V. et al. Yerba mate (Ilex paraguariensis, A. St.-Hil.) transcriptome assembly based on tissue specific genomic expression profiles. BMC Genomics, Missiones, v. 19, n. 891, p. 1 – 17, 2018.

FERIGOLO, P. C.; SAGRILLO, M. R. Genotoxicidade relacionada ao consumo de chimarrão. Disciplinaruim Scientia, Santa Maria, v. 14, n. 1, p. 1 – 13, 2013.

FERRERA, T. S. et al. Substâncias fenólicas, flavonoides e capacidade antioxidante em erveiras sob diferentes coberturas do solo e sombreamento. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Campinas, v. 18, n. 2, p. 588 – 596, 2016.

GIROLOMETTO, G. et al. Atividade antibacteriana de extratos de erva mate (Ilex paraguariensis A.St.-Hil.). Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v. 11, n. 1, p. 49 – 55, 2009.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ DE ALENCAR GOMES DA SILVA – INCA – BRASIL. Estimativa 2018: Neoplasia Maligna de Cavidade Oral/Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Rio de Janeiro, 2018.

JOTZ, G. P. et al. Estudo experimental da erva-mate (Ilex paraguariensis) como agente etiológico de neoplasia do trato aéro-digestivo. Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia, São Paulo, v. 10, n. 4, p. 306 – 311, 2006.

ROSA, C. S. et al. Composição química e toxicidade frente Aedes aegipti L. e Artemia salina Leach do óleo essencial das folhas de Myrcia sylvaica (G. Mey.) DC. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Campinas, v. 18, n. 1, p. 19 – 26, 2016.

ROSSA, U. B. et al. Influência da luminosidade e fertilizantes nos teores de metilxantinas e compostos fenólicos em folhas verdes de erva-mate. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 27, n. 4, p. 1365 – 1374, 2017.

SAIDELLES, A. P. F. et al. Análise de metais em amostras comerciais de erva-mate do sul do Brasil. Alimentos e Nutrição, Araraquara, v. 21, n. 2, p. 259 – 264, 2010.

SAMPAIO, J. et al. Estudo da genotoxicidade in vitro e in vivo após exposição aguda e subcrônica de extratos aquosos de Ilex paraguariensis A. St.-Hil. obtidos por infusão. Revista Brasileira de Biociência, Porto Alegre, v. 10, n. 4, p. 462 – 467, 2012.

SANTANA-BLANK, L. et al. Quantum Leap in Photobiomodulation Therapy Ushers in a New Generation of Ligh-Based Treatments for Cancer and Other Complex Diseases: Perspective and Mini-Review. Photomedicine and Laser Surgery, Caracas, v. 34, n. 3, p. 93 – 101, 2016.

SEHNEM, S.; VELTRINI, V. C. O chimarrão e suas repercussões bucais. Revista Saúde e Pesquisa, Bauru, v. 5, n. 3, p. 447 – 453, 2012.

SOUZA, L. A. et al. Atividade antimicrobiana de óleo de alecrim (Rosmarinus officinalis L.) em carnes inoculadas com Escherichia coli. Brazilian Applied Science Review, v. 4, n. 2, p. 592-605, 2020. DOI:10.34115/basrv4n2-013.

VALDUGA, A. T. et al. Cytotoxic antioxidante activity and sensorial acceptance of yerbamate development by oxidation process. Acta Scientiarum, Maringá, v. 38, n. 1, p. 115 – 121, 2016.

VENTURI, B. R. M.; CABRAL, M. G.; LOURENÇO, S. Q. C. Carcinoma de células escamosas oral – contribuição de vírus oncogênicos e alguns marcadores moleculares no desenvolvimento e prognóstico da lesão: uma revisão. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, Niterói, v. 70, n. 3, p. 385 – 392, 2004.

VIEIRA, M. A. Análise de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) nas etapas do processamento da erva-mate (Ilex paraguariensis) e caracterização química dos resíduos da trituração para o desenvolvimento do produto. Tese (Doutorado em Ciência dos Alimentos) – Programa de Pós-graduação em Odontologia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.




DOI: https://doi.org/10.34115/basrv5n1-015

Apontamentos

  • Não há apontamentos.