Evolução da cobertura e uso do solo na Zona de Amortecimento da Estação Ecológica Raso da Catarina entre 1985 e 2015 e sua relação com o processo de desertificação / Evolution of coverage and land use in the Damping Zone of the Ecological Station Raso da Catarina between 1985 and 2015 and its relationship with the desertification process

Ricardo Augusto Souza Machado, Érica Cardoso de Lima, Anderson Gomes de Oliveira

Resumo


O bioma caatinga é o terceiro mais degradado do Brasil, perdendo apenas para a Floresta Atlântica e o Cerrado, sendo a região do Sertão do São Francisco uma área considerada como de alto risco à desertificação por apresentar extensas manchas de degradação da vegetação e dos solos, local onde está localizada a Estação Ecológica (ESEC) do Raso da Catarina. Tão importante quanto a unidade em si é a sua Zona de Amortecimento (ZA), em que as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o objetivo de minimizar os impactos negativos sobre a Estação Ecológica. Entretanto, em um intervalo de 30 anos (1985-2015), houve um aumento das pastagens na ordem de 141% nas áreas correspondentes à ZA da ESEC, além do crescimento das formações campestres em detrimento da cobertura vegetal original, contribuindo para uma maior susceptibilidade à desertificação. Assim, este trabalho procurou avaliar a evolução da cobertura e uso do solo na ZA da Estação Ecológica do Raso da Catarina, suas consequências para a unidade e quais as relações com o processo de desertificação identificado nessa área.


Palavras-chave


Zona de Amortecimento, Cobertura e uso do Solo, Desertificação, Estação Ecológica Raso da Catarina.

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DOI: https://doi.org/10.34115/basrv4n5-028

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