Efeito larvicida e ovocida de extratos de Crotalaria pallida sobre o vetor Aedes aegypti / Larvicidal and ovocidal effects of Crotalaria pallida extracts on the vector Aedes aegypti

Beatriz Ayumi Takagi, Taiana Gabriela Barbosa de Souza, Mirian Daiane de Oliveira, Luís Gustavo Bernardes, Juliano Yasuo Oda, Aline Rafaela da Silva Rodrigues Machado, Alex Martins Machado

Abstract


 

A resistência aos inseticidas tem causado dificuldades no controle do Aedes aegypti estimulando à busca por compostos larvicidas naturais. A Crotalaria pallida, conhecida popularmente por Chique-Chique e por sua ação repelente, ainda carece de dados científicos quanto à suas propriedades. Objetivou-se então verificar o potencial larvicida/ovocida desta planta em A. aegypti. Folhas de C. pallida foram submetidos a extração com solventes: Acetato de Etila (AcEt), Hexano (Hex) Etanol (EtOH) e Metanol (MetOH). A ação larvicida foi determinada com 15 larvas (L2, cepa Rockefeller) através do contato com cada extrato (500, 250; 125; 62,5; 31,25 mg/L diluídos em dimetilsulfóxido (DMSO) por 24 horas (testes em triplicata) com posterior determinação da dose letal (DL90 e DL50). A DL50 foi utilizada para determinação da ação larvicida nos diferentes instars larvais para os extratos com maior letalidade. Para a analise ovocida, ovos foram colocados em contato com os compostos (MetOH e EtOH a 500 mg/L) por 10 minutos e transferidos posteriormente para água limpa para eclosão (Teste de contato). Também foram deixados ovos para eclosão em água contendo 500 mg/L dos extratos (Teste de eclosão). Todos os resultados foram submetidos a análise estatística. Observou-se melhor ação larvicida, com morte de 100% e 88,8%, nos compostos MetOH e EtOH respectivamente na concentração de 500 mg/L. Observou-se ainda uma maior letalidade nos primeiros instars larvais dos compostos MetOH e EtOH comparados aos instar larvais mais maduros. Ambos extratos também inibiram a eclosão dos ovos em 95% e 90% no teste de contato e 100% no teste de eclosão. As análises estatísticas mostraram significância entre a concentração do extrato e a mortalidade das larvas. Conclui-se que se trata de um resultado promissor no combate ao vetor A. aegypti.

 


Keywords


a) Crotalaria pallida b) Controle vetorial c) Dengue

References


Amer A, Mehlhorn H. 2006. Larvicidal effects of various essential oils against Aedes, Anopheles and Culex larvae (Diptera: Culicidae). Parasitol Res 99:466–472.

Anjolette AFF, Marcoris MLG. 2016. Técnicas para manutenção de Aedes aegypti em laboratório. Boletim Epidemiológico Paulista 13(156): 19-29.

Barbosa PBBM, Oliveira JM, Chagas JM, Rabelo LMA, Medeiros GF, Giodani RB, Silva EA, Uchôa AF, Ximenes MFFM. 2014. Evaluation of seed extracts from plants found in the Caatinga biome for the control of Aedes aegypti. Parasitol Res 113(10): 3565-3580.

Brasil. 2019. Ministério da Saúde. Casos de Dengue no Brasil. Nota técnica.

Bowers WS, Sener B, Evans PH, Bingol F, Erdogan I. 1995. Activity of Turkish medicinal plants against mosquitoes Aedes aegypti and Anopheles gambiae. Insect Sci Appl 16(3/4): 339–342.

Cavalheiro MG, Farias DF, Fernandes GS, Nunes EP, Cavalcanti FS, Vasconcelos IMV, Melo VMM, Carvalho AFU. 2009. Atividades biológicas e enzimáticas do extrato aquoso de sementes de caesalpinia férrea mart. leguminosae. Braz j pharmacog 19: 586-591.

Coelho JS, Santos NDL, Napoleão TH, Gomes FS, Ferreira RS, Zingali RB, Coelho LCBB, Leite SP, Navarro DMAF, Paiva PMG. 2009. Effect of Moringa oleifera lectin on development and mortality of Aedes aegypti larvae. Chemosphere 77:934–938.

Figueiredo LT. 2007.Emergent arboviruses in Brazil. Rev Soc Bras Med Trop 40: 224-9.

Ghosh GK. 1991. Biopesticide and integrated pest management. A.P. H. Publishing Corporation, New Delhi, p. 145–146.

Govindarajan M. 2009. Bioefficacy of Cassia fistula Linn. (Leguminosae) leaf extract against Chikungunya vector, Aedes aegypti (Diptera: Culicidae). Eur Rev Med Pharmacol Sci 13(2): 99–103.

Govindarajan M. 2010a. Larvicidal efficacy of Ficus benghalensis L. plant leaf extracts against Culex quinquefasciatus Say, Aedes aegypti L. and Anopheles stephensi L. (Diptera: Culicidae). Eur Rev Med Pharmacol Sci 14:107–111.

Govindarajan M. 2010b. Chemical composition and larvicidal activity of leaf essential oil from Clausena anisata (Willd.) Hook. f. ex Benth (Rutaceae) against three mosquito species. Asian Pac J Trop Med 3:874–877.

Gubler DJ. 2002. The global emergence/resurgence of arboviral diseases as public health problems. Arch. Med. Res. 33(4): 330-42.

Gupta L, Deshpande S, Tare V, Sabharwal S. 2011. Larvicidal activity of the a-amylase inhibitor from the seeds of Macrotyloma uniflorum (Leguminosae) against Aedes aegypti (Diptera: Culicidae). Int J Trop Insect Sci 31:69–74.

Kabaru JM, Gichia L. 2001. Insecticidal activity of extracts derived from different parts of the mangrove tree Rhizophora mucronata (Rhizophoraceae) Lam. against three arthropods. Afr J Sci Technol 2(2):44–49.

Mackenzie JS, Gubler DJ, Petersen LR. 2004. Emerging flaviviruses: the spread and resurgence of Japanese encephalitis, West Nile and Dengue viruses. Nat med 10(12): 98-109.

Markouk M, Bekkouche K, Larhsini M, Bousaid H, Lazrek HB, Jana M. 2001. Evaluation of some Moroccan medicinal plant extracts for larvicidal activity. J Ethnopharmacol 73:293–297.

Murugan K, Murugan P, Noortheen A. 2007. Larvicidal and repellent potential of Albizzia amara Boivin and Ocimum basilicum Linn. against dengue vector, Aedes aegypti (Insecta: Diptera: Culicidae). Bioresour Technol 98:198–201.

Nicolopoupou-Stamati P, Maipas S, Kotampase C, Stamatis P, Hens L. 2016. Chemical pesticides and human health: the urgent need for a new concept in agriculture. Front Public Health 4(148): 25-32.

Niraimathi S, Balaji N, Venkataramanan N, Govindarajan M. 2010. Larvicidal activity of alkaloid from Sida acuta against Anopheles subpictus and Culex tritaeniorhynchus. Int J Curr Res 11:034–038.

Oliveira, SR; Caleffe RRT; Conte H. 2017. Chemical control of Aedes aegypti: a review on the enviroment and human health. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental (REGET) 21(3):240-247.

OPAS – Organização Panamericana de Saúde. 2019. Number of reported cases of Dengue & Dengue Hemorrhagic Fever (DHF), region of the americas (by country and subregion). Disponivel em: http://www.paho.org/english/ad/dpc/cd/dengue-cases-2019.htm. Data de acesso: 18/10/2019.

Patil CD, Patil SV, Salunke BK, Salunkhe RB. 2011. Bioefficacy of Plumbago zeylanica (Plumbaginaceae) and Cestrum nocturnum (Solanaceae) plant extracts against Aedes aegypti (Diptera: Culicide) and nontarget fish Poecilia reticulate. Parasitol Res 108:1253–1263

Peixoto PG, Fujita AT, Cardoso ACR. 2018. Eventual effectiveness of Crotalaria sp in combat to mosquito Aedes. Acta Biológica Brasiliensis, 1(1): 213-218.

Peng Z, Yang J, Wang H, Simons FER. 1999. Production and characterization of monoclonal antibodies to two new mosquito Aedes aegypti salivary proteins. Insect Biochem Mol Biol 29:909–914.

Porto KRA, Motti PR, Yano M, Roel AR, Cardoso CAL, Matias R. 2017. Screening of plants extracts and fractions on Aedes aegypti larvae found in the state of Mato Grosso do Sul (Linnaeus, 1762) (Culicidae). An Acad Bras Cienc 89(2): 895-906.

Rahuman AA, Bagavan A, Kamaraj C, Saravanan E, Zahir AA, Elango G. 2009. Efficacy of larvicidal botanical extracts against Culex quinquefasciatus Say (Diptera: Culicidae). Parasitol Res 104:1365–1372.

Rajkumar S, Jebanesan A. 2004. Mosquitocidal activities of octasane from Moschosma polystachyum Linn. (Lamiaceae). J Ethnopharm 90:87–89.

Souza TM, Farias DF, Soares BM, Viana MP, Lima GPG, Machado LKA, Morais SM, Carvalho AFU. 2011. Toxicity of Brazilian plant seed extracts to two strains of Aedes aegypti (Diptera: Culicidae) and nontarget animals. J Med Entomol 48:846–851.

Vasconcelos PFC, Travassos da Rosa APA, Pinheiro FP, Travassos da Rosa JFS. 2005. Arboviroses. Veronesi: tratado de infectologia. São Paulo: Atheneu, p. 289-302.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n5-019

Refbacks

  • There are currently no refbacks.