Estado Nutricional e Dietoterapia no Paciente com Meningite Tuberculosa / Nutritional status and dietotherapy in tubercular meningitis patient

Leticia Szulczewski Antunes da Silva, Luciane Perez da Costa Fernandes, Raquel Santiago Hairrman, Natalí Camposano Calças, Rafael Alves Mata de Oliveira, Yulle Fourny Barão, Eli Fernanda Brandão Lopes, Carolina de Sousa Rotta, Izabela Rodrigues de Menezes, Juliana Galete, Thaís de Sousa da Silva Oliveira, Maruska Dias Soares

Abstract


Introdução: A tuberculose (TB) é uma doença infecto-contagiosa que geralmente atinge os pulmões, mas pode acometer também outros órgãos.  Sua transmissão se dá através de gotículas de aerossóis por contato interpessoal direto. A meningite é um processo inflamatório das meninges que envolvem as duas membranas cerebrais (pia-máter e aracnoide) e o líquido cefalorraquidiano (LCR), podendo ser causado por diversos fatores, infecciosos ou não. Já a meningite tuberculosa (MTB) é a complicação mais severa de todas as formas da tuberculose, exigindo hospitalização para seu diagnóstico e tratamento inicial, pois não é possível ter a cura espontânea da doença. Nos casos de tuberculose pulmonar com escarro positivo à baciloscopia são as principais fontes de infecção, visto que eliminam grande número bacilos no ambiente, gerando uma infecção em massa, desta forma, sendo mais fácil o desenvolvimento para as formas graves da doença, entre elas, a meningite. O relato de caso desenvolvido tem como objetivo descrever a intervenção profissional do nutricionista em um paciente com Meningite Tuberculosa. Metodologia: Trata-se de um trabalho descritivo transversal que relata o caso de um paciente com MTB e as condutas nutricionais utilizadas. Paciente do sexo masculino, 47 anos, etilista crônico, sem comorbidades prévias, admitido em um hospital de retaguarda para reabilitação multiprofissional, após diagnóstico de MTB e estabilização hemodinâmica. A avaliação nutricional, consistiu em aferição da circunferência do braço (CB), circunferência da panturrilha (CP), prega cutânea triciptal (PCT), índice de massa corporal (IMC) e peso corporal, além dos dados de história dietética, exame físico, hábito intestinal e urinário. Resultados e Discussão: No exame físico foi observado sinais evidenciando desnutrição, entre eles, fáceis encavadas, atrofia bilateral do crânio, hipotrofia em coxa, braços e gastrocnêmio, porém estes em aspectos leves. Os dados da avaliação antropométrica resultaram em um IMC de 17,6 kg/m², caracterizando diagnóstico nutricional de desnutrição leve. Diante disto, foi ofertada uma dieta via oral na consistência livre e suplementação, caracterizando uma dieta hiperproteica (1,5g kg/peso) e hipercalórica (35 kcal kg/peso). Após 30 dias foi observado ganho de 10 kg, tanto de massa muscular e gorda, bem como aumento nos parâmetros de avaliação antropométrica e exame físico, evoluindo de desnutrição leve para o estado de eutrofia. Conclusão: a intervenção nutricional precoce e individualizada foi fundamental para o desfecho clínico positivo do paciente, maximizando na melhora funcional e contribuindo na reabilitação.


Keywords


Tuberculose Meníngea, Estado Nutricional, Suplementos Nutricionais.

References


Armstrong, L. E.; Maresh, C. M.; Castellani, J. W.; Bergeron, M. F.; Kenefick, R. W.; LaGasse, K. E.; Riebe, D. Urinary indices of hydration status. International journal of sport nutrition. Vol. 4. Num. 3. p. 265-279. 1994.

Barbosa, A.A.O.; Vicentini, A.P; Langa, F.R. Comparação dos critérios da nrs-2002 com o risco nutricional em pacientes hospitalizados. Ciênc. saúde coletiva, v 24, n , Rio de Janeiro, 2019

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. 8ª ed. P. 412, Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de Controle da Tuberculose. 2018. Disponível em: Acesso em: 06 jan. 2020

Dias FCF, Rodrigues Junior CA, Cardoso CRL, Veloso FPFS, Rosa RTAS, Figueiredo BNS. Meningite: Aspectos epidemiológicos da doença na região norte do Brasil. Revista de Patologia do Tocantins, [S.l.], v. 4, n. 2, p. 46-49, jun. 2017

Escott-Stump, S. Nutrição relacionada ao diagnóstico e tratamento. 6° edição. Barueri, São Paulo. Editora Manole. 2011.

Grobler L, Nagpal S, Sudarsanam TD, Sinclair D. Nutritional supplements for people being treated for active tuberculosis. Cochrane Database of Systematic Reviews 2016, Issue 6. Art. No.: CD006086. DOI: 10.1002/14651858.CD006086.pub4

Lewis SJ, Heaton KW. Stool form scale as a useful guide to intestinal transit time. Scand J Gastroenterol 1997;32:920-4.

NARDY, S.M.C. et al. Aspectos epidemiológicos da meningite tuberculosa em menores de 15 anos de idade, na Grande São Paulo, Brasil, 1982 -1983. Rev. Saúde públ., S.Paulo. 23:117-27,1989.

Organização Mundial de Saúde - OMS. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO consultation, Geneva, 3-5 Jun 1997. Geneva: World Health Organization, 1998.

Torres VF. Receptor desencadeador expresso nas células mieloides tipo 1 (TREM-1) no diagnóstico e prognóstico na meningite bacteriana e viral em crianças. (Tese de Doutorado — 2015 – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Medicina: Ciências Médicas.)




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n2-260

Refbacks

  • There are currently no refbacks.