Atividade antimicrobiana de Trichoderma viride e Trichoderma stromaticum / Antimicrobial activity of Trichoderma viride and Trichoderma stromaticum

Eliéte Moura de Souza Hurmann, Cleide Viviane Buzanello Martins, Tayrine Mainko Hoblos Pozzobom

Resumo


O Trichoderma spp. é um antagonista promissor, o desenvolvimento e uso de produtos à base deste microrganismo nos oferece a oportunidade, não apenas de reduzir os riscos da saúde, mas também custos e danos ambientais. Assim, este trabalho teve por objetivo analisar a eficiência dos extratos de Trichoderma viride e Trichoderma stromaticum contra alguns microrganismos de interesse na clínica médica, agricultura e piscicultura. Dentre eles o Colletotrichum musae, causador da antracnose da banana, Saprolegnia, que acomete ovas de peixes e algumas bactérias que causam danos à saúde humana. Os extratos diclorometânicos foram testados em várias concentrações, tendo como controle positivo um antimicrobiano comercial. A inibição do patógeno foi verificada, de forma direta pela técnica de cultivo pareado. A atividade antimicrobiana dos extratos foi avaliada por disco-difusão e pela determinação da concentração inibitória mínima (MIC) por teste de microdiluição em caldo. Foram feitos testes in situ no fruto inoculando o fungo patogênico e tratados com os extratos e a análise sensorial onde foi determinada a aceitação do produto. No cultivo pareado os Trichoderma spp. inibiram o crescimento dos patógenos sendo 0,05% de significância.  No teste de disco-difusão os resultados foram positivos, sendo que para Aeromonas hydrophila e E. coli obteve-se os melhores resultados. O MIC (concentração inibitória mínima) dos extratos contra os microrganismos variou de 50% a 3,125 %. Diante dos resultados apresentados, evidenciou-se que, os extratos foram eficientes na inibição in vitrodos microrganismos testados, bem como sua aplicação nos frutos não alterou as características organolépticas dos mesmos.


Palavras-chave


Trichoderma sp.; antimicrobiano; Colletotrichum musae.

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DOI: https://doi.org/10.34188/bjaerv3n2-015

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